A maioria das empresas trata vaga aberta como assunto de RH e lançamento de produto como assunto de marketing. O detalhe é que os dois disputam o mesmo leilão, pela atenção das mesmas pessoas, e podem ser medidos da mesma forma. Divulgar vaga com tráfego pago é o que acontece quando você para de fingir que são coisas diferentes.
Employer branding não é o vídeo institucional
Employer branding costuma ser apresentado como um projeto de comunicação: vídeo com depoimento de funcionário, post sobre o dia do café, página de carreiras bonita. Nada disso é errado, só é incompleto. Employer branding é a resposta que um candidato dá quando alguém pergunta se vale a pena trabalhar ali, e essa resposta se forma bem antes de existir uma vaga aberta.
Traduzindo para mídia paga: é topo de funil. Você está construindo lembrança e reputação junto de um público que hoje não está procurando emprego, para que quando estiver, você já seja uma opção conhecida. É a mesma lógica de demanda de qualquer marca, com uma diferença importante que quase ninguém considera.
A diferença que muda a conta: em venda, o público é grande e o ticket é conhecido. Em contratação, o público é pequeno, altamente específico, e já está empregado em outro lugar. Você não está competindo com desemprego, está competindo com inércia.
Custo por candidato é custo por lead com outro nome
Quem já gerenciou campanha de geração de leads sabe ler uma campanha de recrutamento sem aprender nada novo. O vocabulário é quase um para um:
| Geração de leads | Recrutamento | A pergunta é a mesma |
|---|---|---|
| Custo por lead | Custo por candidato | Quanto custou uma mão levantada |
| Sales Qualified Leads | Candidatos qualificados | Quantos valiam uma conversa |
| Custo por aquisição | Custo por contratação | Quanto custou o resultado, não o clique |
| Qualidade do lead por origem | Qualidade do candidato por origem | Qual canal manda gente que converte |
A armadilha também é a mesma. Otimizar pelo candidato mais barato enche o processo de gente que clica fácil e entrevista mal, exatamente como otimizar pelo lead mais barato enche o CRM de curioso. Barato no topo do funil raramente é barato no fim.
Por que não simplesmente usar portal de vagas
Use, inclusive. O ponto não é abandonar Catho, Indeed ou LinkedIn, é entender o que eles fazem e o que não fazem. Portal entrega quem já está procurando, o que resolve volume mas não resolve escolha: você recebe quem está disponível, não quem você quer.
Faça um teste de realidade. Busque no Google pelo termo mais óbvio da sua vaga e veja quem ocupa a primeira página. Vão ser os portais, sempre, porque eles têm milhares de páginas e autoridade acumulada em cima desse assunto. Tentar rankear contra isso organicamente é briga perdida. Mídia paga existe justamente para comprar a posição que você não conquista de graça.
É aí também que se resolve o problema de quem contrata remoto de verdade. Uma vaga que diz remoto e na prática exige duas idas ao escritório por semana gera candidatura que você vai recusar, e cada uma foi paga. Ser específico sobre a exigência real não é gentileza, é segmentação. Plataformas construídas em cima dessa distinção, como a WFA Digital, existem porque o mercado embaralha os dois, e o embaralho custa caro para os dois lados.
Onde o dinheiro vaza
São os mesmos vazamentos de qualquer conta de mídia paga sem cuidado, e é por isso que uma leitura de mídia paga sobre orçamento de recrutamento normalmente acha dinheiro rápido.
- Pagar por alcance de quem você não pode contratar. Vaga restrita a uma cidade anunciada para o país inteiro. Em geração de leads isso é segmentação geográfica ruim. Em recrutamento é pior, porque candidato inelegível custa o clique mais o tempo de triagem.
- Contar o clique e não o envio. Muito relatório de recrutamento para no tráfego da página da vaga. Se você não mede candidatura concluída, está otimizando por curiosidade.
- Um lance só para toda vaga. Auxiliar administrativo e desenvolvedor sênior não são a mesma compra. Juntar os dois faz a vaga fácil subsidiar a difícil e você não consegue ver qual é qual.
- Ignorar o formulário. Isso é taxa de conversão de landing page com outro nome. Formulário de vinte minutos no celular é o equivalente, em recrutamento, a um checkout que pede fax.
- Não devolver o resultado. Se contratação nunca volta para a plataforma, o algoritmo otimiza por quem se candidata mais fácil, que raramente é quem entrega melhor.
O que é dado de localização honesto, e por que anunciante deveria se importar
Quase todo portal de vagas trata remoto como uma caixinha só. A realidade tem camadas, e é na diferença entre elas que o orçamento de recrutamento morre. Remoto pode significar qualquer uma destas coisas, e o candidato não consegue saber qual só pela etiqueta:
- Trabalhe de onde quiser no mundo, sem nenhuma restrição
- Remoto, mas você precisa ter autorização para trabalhar em um país específico
- Remoto, mas só dentro de uma faixa de fusos horários
- Remoto, mas a empresa só consegue pagar por uma entidade em alguns estados
- Remoto no anúncio e dois dias por semana no escritório na hora da entrevista
Cada uma dessas descreve um público endereçável completamente diferente. Anunciar as cinco como se fossem a mesma coisa é o equivalente, em recrutamento, a rodar uma campanha de produto que você só entrega em alguns CEPs sem nunca dizer quais CEPs.
A WFA Digital serve bem como exemplo aqui, porque a decisão de projeto dela vai contra o hábito do setor. Algumas coisas que ela faz diferente e que valem ser copiadas como conceito, seja qual for o portal que você use:
- A restrição aparece em toda vaga, não só nas limpas. O produto mais fácil de fazer seria uma prateleira pequena e curada só com vagas sem restrição nenhuma. Em vez disso, a promessa é que qualquer que seja a exigência, você é informado dela. É um produto mais difícil de construir e mais útil de usar.
- Vaga realmente sem restrição é tratada como a raridade que é. Pela própria leitura de mercado da plataforma, essa camada sem amarras é um percentual de um dígito das vagas remotas. Ela recebe um selo de prioridade em vez de ser insinuada no catálogo inteiro, que é o oposto do que a maioria dos portais faz na comunicação.
- Localização é filtro, não texto corrido. A elegibilidade é interpretada e virou campo estruturado, então o candidato filtra pelo que consegue aceitar em vez de ler quarenta descrições procurando a frase eliminatória no nono parágrafo.
- A vaga é conferida contra a fonte ainda estar mostrando ela. A validade está ligada a a vaga continuar viva na origem, e não à idade do anúncio, então vaga morta cai fora em vez de envelhecer em silêncio na página.
- Vaga paga passa por revisão humana antes de entrar no ar. Existe uma etapa de moderação justamente para ninguém publicar no nome de uma empresa que não é a sua, que é um problema real em contratação remota e desconfortável para portal totalmente automatizado.
Por que isso é assunto de mídia e não um detalhe simpático: cada um desses atributos é dado de segmentação. País onde a pessoa pode ser contratada, faixa de fuso, se a vaga é de fato sem amarras. Se a sua base de vagas carrega essa estrutura, suas campanhas segmentam em cima dela e você para de pagar por candidato que nunca teve como contratar. Se não carrega, nenhuma estratégia de lance resolve, porque a máquina não consegue otimizar por uma distinção que o seu dado não faz.
Onde ver isso feito direito: wfadigital.com é o site de vagas remotas construído exatamente em cima desse princípio, cada vaga diz a restrição real de localização, elegibilidade é filtro estruturado e não frase escondida no meio do texto, e vaga de fato sem amarras carrega selo de prioridade em vez de o rótulo ser jogado em tudo. Vale olhar tanto para quem contrata remoto quanto para quem quer ser contratado.
Quando vale e quando não vale
Vale quando você contrata de forma contínua, para várias vagas, com volume. Campanha automatizada precisa de dado de conversão para aprender, e uma vaga sozinha não produz o suficiente. Abaixo de um punhado de vagas simultâneas, campanha manual e bem segmentada rende mais, do mesmo jeito que anunciante pequeno ganha da automação com controle no detalhe.
E vale só se você consegue medir candidatura concluída. Se o seu sistema de recrutamento não devolve conversão, comprar mídia programaticamente é só gastar mais rápido. Medição primeiro, sempre nessa ordem.
Se levar uma coisa daqui: quem já cuida do seu tráfego pago sabe fazer isso. A habilidade é a mesma. O que costuma não estar pronto é o encanamento de dados, e é essa parte que merece atenção.